sábado, 7 de junho de 2014

A distância e o tempo
separam o que é real
do que não deve ser.
E o ato desata
a cadeia do improvável
E gasta a sola do sapato
e rola a pedra de Sísifo.

Qualquer ruído é mero reflexo
do medo ou imagem distorcida
de um espelho circence
que diz verdades atrás de nuvens de fumaça.

Eco

Meu grito sem som
se espalha pelo eco
oculto
incendiando os corpos
num movimento silencioso de inércia.

Apago a luz e vejo que se acende a ideia.

Alguém carrega uma vela no fim do túnel e já é tarde,
embora o cheiro da chama
possa repentinamente se apagar
com a mão invisível
daquilo que nos mantém vivos.


Me responda as perguntas que não fiz
me explique a gota que desperta o interesse
me chama pra dança
e esconde a cor do seu guarda-chuva
pra eu não saber do tempo...

Quero ver sua presença
se disfarçando de ausente
pra fazer você girar leve
e impedir que a minha distração se despeça.



O Sentido da Escuridão

O Sentido da escuridão
É o mesmo de chorar na chuva
O mesmo da bebida em excesso
nada me impede a expressão mais sincera.

Nenhuma força me afasta da minha verdade real
não espero nenhum julgamento
apenas expresso o que sinto
sem esperar que seja algo inteligível
qual som propagado em meio sem ar.

A minha língua são meus sonhos no presente
que me servirão de alento no futuro.

Minerador da Palavra

Onde a Pedra perde o valor,
busco a Alma.

Quando a Palavra
o cheiro da vida não mais exala,
busco o Sentido.
E me entorpeço de agoras,
múltiplos,
em sequência.
E  escrevo no livro
com tinta branca,
e mesmo sozinho sinto a dor dos personagens
que se fossem vivos
não seriam parte de nenhum enredo.


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Vela

Muda a direção do vento,
desregula as estações do ano,
desvia o curso dos rios,
toca o impalpável,
acende a escuridão,
Alivia a dor.
Mas não consegue dizer a palavra
que acaricia ao coração e ao ouvido
e quando diz
apaga a luz por que já é tarde
e é preciso reduzir tudo
ao pequeno espaço da realidade
e devolver  o sonho
à esfera da eternidade.


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Expectativas

Me agarro a expectativas
infundadas.

Me perco na esperança
já derrotada.

Acendo o  brilho dos olhos durante um segundo inteiro
e apago em seguida,
ao perceber o apego
de meus pés ao solo.

Brinco de ser criança nos campos da imaginação,
meu refúgio é proibido.
Não para mim,
que vivo e vejo o sonho real.



quarta-feira, 1 de maio de 2013

As  vezes  o sono é a melhor resposta
pra pergunta que não sara.
Pra ferida que não cala.
Na ilha de mim quero me isolar.
Na nuance mais negra da noite
quero ouvir o silêncio.

Na esquina, os bêbados brigam.
Quero ver o brilho mais tímido da razão.

 Me perco na impessoalidade
de minha pessoa.

Vejo símbolos em formas e gestos,
entalho uma escultura da pedra disforme.

Observo paredes brancas,
reflexo do ser incompleto e incomunicável.

No abismo da abundância de significados
me afogo.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Eu,

Eu,
Espectador do Espectro,
Criador de antíteses,
combino símbolos e frases
em uma ordem desordenada.

Vejo as cores no som do olfato
do sentido que me vem.

Encarcero e liberto sentimentos e momentos
a sangue frio,
gota a gota.
Crio situações que ainda não vivo
e depois julgo profecias.
E me vejo escrevendo minha própria história com suor,
sangue e risos,
sem saber.


plasma

Vejo o evaporar dos dias.
Me sinto sonolento nas noites quentes.
Prevejo o inverno extremo.

Olho mais longe e vejo a solidão de tudo aquilo que existe
na escuridão não revelada,
ardendo para atingir a face visível da lua.

Se a Solidão existe,
não estou sozinho.
Há várias solidões espalhadas pelo cosmos.
E nossa solitude nos torna solidários.
E já não estou mais sozinho.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Asa

Invernos de verão,
verões de inverno.

Vejo a palavra certa na boca
errada.
Vejo a boca certa
sem nexo.
Desvario no variar constante das horas,
desço a colina rumo aos vales.

Contra todas as regras
rasgo o cenário da vida
antes que as areias se tornem pedras.
E voo livre
de volta pra casa.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Se

Se eu não tivesse sido quem sou
seria biólogo,
escritor,
estaria casado,
seria um corredor de sucesso,
moraria em Campinas em casa financiada.

Não teria pressa,
falaria inglês,
francês e italiano.
Teria sido peregrino por pelo menos uma semana.

Seria fiel em corpo e alma,
seria religioso,
seria completo mesmo sem ambição,
escreveria linhas mais compridas,
teria  a música viva na vida
como uma cicatriz no rosto.

Comeria uva todo dia,
andaria mais de bicicleta (sem as mãos),
teria aquela solidão de fim de noite gostosa...
...e apesar das reticências saberia que tudo isto valeu a pena!



Tema

A paródia me fez lembrar a letra.
E achei que a melodia caiu como uma luva...

Estampada num outro rosto da cidade
segue o símbolo da memória
que desejo como o que produz essa imagem
mesmo na escuridão.


Emergência

Faz-se urgente
a busca por um tempo novo
onde a culpa não tenha lugar

E seja mais fácil respirar
nessa quase atmosfera do tempo
que espera sedento
para consumir.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Desentitulada

Dezessete primaveras.
Foi o tempo que eu levei
Para descobrir que sou tolo
E para amadurecer
Os meus versos.

Você demorou dezessete primaveras
Para estar aqui,
Eu dezessete outonos...
Sempre próximos
Nunca juntos.

Meu sonho transita entre o mundo dos vivos e dos mortos,
mas a esperança ainda é viva.

Já nem sei por qual nome te chamar.
posso deduzir que seu nome seja divino.
posso me arrepender
e dizer que qualquer nome
a você não caberia.

Minha poesia será desentitulada,
pois não há mais o que dizer.
As palavras são tão poucas
e você  etérea.

Tudo o que disse ou dissesse seria pouco.
Você sempre será muito para mim.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Morte e poesia

Não deixe a poesia morrer,
Não viva de intervalos.
Viva constantemente
e nao se esqueça de acender e apagar a luz
do quarto na hora certa.
Não se deixe estar
e nao se deixe levar.
A perfeição não segue formas,
mas se renova a cada intante.
E é inconstante.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Binário

É a teoria da vida
É um astrônomo no fim de seu trabalho
Rezando para encontrar
Uma resposta plausível.
O planeta está em perigo
E só esta idéia
Pode salvar as espécies
De seu inevitável fim.
Mas de repente,
No fim do caminho
Se depara com o impossível,
Que um seria zero
E vice-versa.
Era a única esperança
Não podia ser impossível!

Fé no caminho, homem!
Prefira a solução absurda
A se entregar ao próprio fim.

O homem aceitou essa idéia,
Tudo deu certo,
Mas guardou a sete chaves
O segredo
De que zero
Era igual a um.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Beleza




Que belo sorriso amarelo
Que lindo céu nublado.
Que bela é uma senhora
de cabelos brancos
cuja beleza foi roubada.

Que belo é o ladrão
em seu modo de trapacear,
tirando dos ricos a riqueza
e dos pobres o que não têm.

Que bela é a lagartixa,
pois nunca perde a cauda
e também a tartaruga em seu casco.

Que belo é o meu sofrimento.
E se a natureza assim permitir,

Sofrerei para sempre.

sábado, 9 de abril de 2011

Barreiras






 

 







E você vê o céu
e não vê nada a não ser as nuvens,
sem paredes,
sem nações,
sem amor por que sem fim,
sem ódio apenas paz
sem conhecimento
com o saber
eterno
intransponível.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

                                    Azul


Azuis seguem os rios
Que no sul desaguam.
Sem saber que um dia morrerão,
continuam a derramar suas águas.

As lágrimas correm alegres
Nos rostos derrotados
Pela tristeza,
Que sem motivo toma da vida sua beleza.

O sangue só não é azul,
Porque não se deve permitir
Que vidas continuem a se esvair.

O azul é inocente,
É conivente com a ordem
que rege o céu e o universo.

É a quebra de simetria nesses versos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Avesso
















 





Hoje acordei pelo avesso.
Vejo o passado e
revejo o futuro.

Esse ponto de vista me é tão claro:
_ As pessoas seguem em ordem de retrocesso.

É triste perceber
que sigo por essa trilha,
na guerrilha contra minha família.

Daqui vejo tudo passando
como um filme rebobinando.

Agora eu estou fora,
parece tudo tão belo.
As pessoas voltando para trás,
os mortos desmorrendo
os vivos rejuvenescendo.
os pobres deixando de esmolar,
Adão e Eva voltando ao paraíso.

sábado, 2 de abril de 2011

Ausência poética




















A poesia me adormeceu
em seus braços
é claro que eu adormeci!
Sendo ninado por canções tão belas,
embalado pelo calor
de um corpo tão suavemente ritmado.
Isso tudo muito me lembra mamãe
quando ainda existia.

Me recordo também
de quando acordei,
(aliás,
eu sonho tanto que tenho medo)
não havia poesia,
não havia poesia,
então não havia prosa ou enredos.
Não havia o que se falar,
nem sons,
nem visões
de qualquer tempo
que acontecesse pelo menos
na mente de um ser humano.
Quando imaginamos a ausência
Visualizamos seu vestido negro
Seu véu solapando uma beleza negra.
Mas nem a ausência estava.
Só eu que agora não tinha razão.
Então voltei a adormecer.

Para ver se acordava desse sonho,
Que apesar de nada
Continuava a me assustar muito.

terça-feira, 22 de março de 2011

A Última Gota



É a última gota.
Não posso beber
Nem desistir de preservá-la.
É preciosa, não deixe cair!
É a última esperança de vida.

Eram muitas,
Agora é só uma.
Cristalina,
Pura e alva,
Como nada há igual.

É a última centelha de luz no universo,
A última lágrima a cair.
Todos assistem à queda da última gota:
_ Tanto o último peixe em seu suspiro final,
Quanto o pássaro em seu triste vôo.

O homem é o único
Que não se faz presente
A esse solene acontecimento.
Neste momento
Ele lança sem saber, pela última vez

A última gota d’água.

domingo, 20 de março de 2011

A Tempestade



Depois da última tempestade,
é a primeira vez que venho aqui.

Galhos por todos os cantos,
o céu insinua outro castigo iminente
ou anuncia uma era de meditação,
está nublado.

O céu e a terra em sinergia,
as coisas subvertem sua ordem natural.

O verso não cabe no poema
a caneta não quer escrever
está nublado o tempo.

Não há tempo para recolher os escombros
e a impiedade assombra
está nublado o dia.

Nenhum carro ameaça cruzar a avenida
nem a empregada vai às compras,
está nublado o planeta
e é certo que a qualquer momento
vai chover nas selvas
da infinitésima parte
do universo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Artimanha


Todo mundo veio
para o enterro da esperança.
Todos tristes,
melancólicos,
bucólicos.

Quando tudo parecia perdido
apareceu alguém
que cruzou a porta.

Todos pasmaram com o que viram.
Era impossível!
A esperança estava morta
ou se dispunha em cores
à nossa frente?
O que seria capaz
de explicar aquela semelhança?

No caixão jazia a esperança,
às nossas costas,
disposta a sorrir para todos
estava a ilusão
de que tudo estava
e estaria bem
que acabaria bem.
Eu estava atrás dela.
Reparei que a sombra
dessa senhora
eram meus sonhos.

Meus joelhos não suportaram
Curvaram-se por terra.

Como poderia eu imaginar
que meus sonhos
fossem a sombra da ilusão
que eu não sabia o nome,
mas que sem ela não viveria?

Ela era bela e sorria.
Eu via a minha infância e fantasia,
eu já sabia.
Só não sei por que
me assustei tanto com o que já conhecia.

Todos os dias ela vinha em meu quarto.
Me contava aos poucos
todas as mentiras
que o mundo dizia verdade.
Aos poucos fui aprendendo tudo aquilo
e usando para pôr pedras no caminho
daqueles que olhavam em volta
e não à frente.

Hoje ela não vem mais,
eu já aprendi tudo.

Aprendi as artimanhas
mas perdi o meu jeito de ser.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Arcaísmos




Uma noite tão nostálgica
Porém,
Logo tão bela.
Isso tudo me lembra vários dias
em que se vê
atrás de uma tristeza
uma alegria.
É como ir ao chão
e sentir o cheiro da terra.
Como estar na rua
e não temer a chuva.
É reconhecer num céu nublado
a sua beleza.
É gostar do que é arcaico,
de um romance.
Relembrar a infância
e até querer um beijo doce e cálido,
é amar de verdade a vida,
as pessoas
e o mundo,
perceber que o amor está em tudo
é a razão de tudo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Ápice



Uma foto me disse que era mero reflexo,
mera junção de cores na sequência que te representa
e eu não conseguia acreditar...
você apenas isso,
tão simples descrição?

Não!
Prefiro acreditar na minha definição própria,
mesmo que errônea,
mesmo que poética,
ainda que passageira
como eu.

Prefiro acreditar na memória
de você sorrindo um sorriso insolúvel:
você sorri e eu admiro,
tentando adivinhar qual é o ápice da beleza
ou se ele já existiu.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Pedra




Tinha uma pedra no meu caminho,
eu atravessei.
Era tão insignificante o fato
que ignorei.
Eu costumava olhar para trás
e acabei encontrando o presente.
De modo inexplicável
a pedra me perseguia.
Ela parecia um monstro
como os dos filmes de terror
tinha a magia e o segredo,
queria que eu também fosse pedra
para poder compreendê-la por dentro.
Eu não queria,
Só desejava ser eu.
Então, por não compreendê-la
ela queria me devorar.
Iniciei desesperada carreira,
fugindo do passado
para tentar agarrar o futuro,
mesmo que ele fosse pior
que a inesperada tragédia.

No meu caminho tinha uma pedra,
isso era um tormento.
Eu já acordei do pesadelo
mas sei que ainda existe
uma pedra em meu caminho.
Por mais que haja flores ao seu lado,
e que a pedra seja imóvel
não vai deixar de existir.

Eu sempre vou me lembrar
quando olhar no espelho e ver
que em minha cabeça há uma cicatriz.
A pedra que me feriu
agora está em mim.
Ela só vai deixar de existir
no dia em que eu partir
da estação dessa vida
para um destino sem fim.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Anti-Antes



O pão e a pedra nas mãos
e uma só escolha:
_ atirar ou comer em silêncio.

Logo como a pedra e atiro o pão.
Longe da heresia
meu santo ato redime meu dia.

Sacrifício de alma
ou o prazer contínuo
da inércia, existente antes do homem
que devora cada canto de espaço vazio?

Nem a maior das estrelas se livra
da magnitude do não ser que devora
e engole o rastro da história
de si
e cai dentro do si mesmo.

Mostrando que qualquer esforço
morre dentro de si,
se não é maior que a vontade
que as coisas possuem de persistir naturalmente.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A Missão




Todo poeta é um vampiro
que veio das profundezas do ventre
de alguém que esperava conceber
um satélite,
não uma estrela.

Vampiro esse que em toda meia-noite
se levanta com tristeza no olhar
e uma extrema vontade
de sugar o que não vê em quantidade, a realidade.

O problema é que esse vampiro
morre.
Mas se torna eterno.

É tão belo esse acontecer
que a cada amanhecer se renova.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Alucinação




Estou cheio desse mundo
estou cheio de mim mesmo.
Estou cheio do progresso
que por qualquer pretexto
não chega a mim mesmo.

Hoje acordei logo cedo
com certo medo e sedento...
Não de justiça,
nem de fome,
mas desse Eu mesmo que às vezes some.
Já tenho receio de em algum tempo
gritar por medo de não ser eu mesmo
chorar pelo que fiz e me punir.
Meu filho, eu sou seu pai?
Posso eu ter sido outro Eu em certo tempo?
Tenho controle de mim mesmo?
Por que me questionou tanto?
Estou fora de mim, fora do mundo.
Tento me prender, mas não há corrente
é uma torrente de pensamentos,
mil momentos esquecidos.
Projetos inacabados.
Tempo perdido.

Estou fora de mim.
Longe de mim mesmo
Esqueça o que eu digo
Estou alucinado.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Alguém ou você




Existe uma certa luxúria
Há alguém que triunfa
Há uma justiça injusta,
Há alguém que luta sem armas
Alguém que apesar de morto
Nunca morre,
Sofre,
Ninguém o socorre
Há alguém que se comove
Mas nunca se move.
Há uma esperança que nunca morre.

Por mais que se demore
Descobre-se
Que esse ele sou eu.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Clocks



You try to run back
but you see no trace of faces
your past has gone

You try to flee
but you only see pages
written in red
and you dont know what is this feeling
good or bad.

An alive poem changes
time after time
every look is not the same.

But I see a spark of light at the other side of this tunel
hiding the truth
that I try to deny
the past has gone
and me either.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A espada e o pão


Não quero a espada
Quero o pão.
A espada fere,
O pão sacia a sede.
A espada é poder de morte,
O pão mantém a vida
E é fruto do trabalho.

Que toda espada quando utilizada se torne pão,
Que mate a fome
De todo aquele que se feriu!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A Deus





De nada adiantaria
se eu visse o meu Deus,
se eu nem sei quem ele é.
É na verdade ele impiedoso?
Não ouso dizer isso,
porque minto.

Deus é o que vivo,
a esperança que um dia
pensamos estar perdida,
o cristal brilhante
que não existe
mas sei, está lá.

A esperança de encontrar
a verdade sobre a vida,
sendo Ele a própria verdade
e o caminho para a vida.
E esse caminho parte de nós.
E essa verdade nos rodeia
disfarçada em pétala de rosas
em rocha firme ou pássaro que sobrevoa.
Por vontade própria
é que lhe entrego esses versos
imersos de amor,
do sangue que nos deu.
Toma então esse idílio para ti,
pessoa que me deu as palavras
instrumentos complexos
que mal sei dominar.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Acontecer















Duas serpentes me atacam
e imobilizam
de uma vez
minha mente e coração.
Tenho visões do passado remoto
e de um futuro próximo.

Minha alma se quebra ao meio,
aos poucos.
E esse quebrar parece tão
prazeroso
que eu não
desisto
dessas delícias trágicas,
deixo de ser eu
para me tornar história
ou lenda de alguém
que talvez um dia
existiu.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A Conquista




O planeta está em guerra
A terra não é mais ela
Nem mesmo como antes bela.

Os homens estão em guerra,
contra sua existência mera.
E na insistência
o homem foge
de sua própria violência,
na demência de conquistar.
Procurando perder não o caminho,
mas o seu próprio destino.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A Chave


Me entregue as chaves
talvez eu queira
chegar mais tarde
ou mais cedo.

Talvez eu queira abrir essa porta
cuja chave se acende
quando acionada pelo fogo.
E logo se espalha pelo ar,
se dissolve.

Chave
Chave essa que abre a porta do quarto
onde jogo tudo que carrego
e não sei se é meu.
Tanto a minha inveja,
quanto meu desespero,
ou a revolta.
E quero uma chave para a sala vazia
Onde eu me encontro com meu maldito eu
em frente ao espelho.

Chave do que eu quero
e nunca vou alcançar.

Chave do inferno.
Chave para onde eu quiser
Chave... do vício que tranca.
Que mata aos poucos
e que não serve para abrir.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A Cena



Me jogaram no deserto de areias finas
e fiz castelos de areia
enquanto minha mãe não chegava.

Criei um mundo de areia
com direito a tudo o que queria.

Quando a maré do ano novo chegou
me trouxe a salvação,
me matou a fome e a sede,
me tomou o circo e trouxe o pão.

A lua sem razão acendeu seu abajur
e me fez dormir por longos anos.

Quando acordei a selva me recebeu
de braços abertos e mãos fechadas.

Logo, quem dorme não sente fome,
mas prolonga a espera da sede.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A carência


Desregula meus objetivos (você).
Sem noção de onde seguir
qualquer força me impele.
Esvazio a razão,
estou cheio de nada.
Tenho desejos
mas se dissipam,
mera luz refratada
no prisma
que depois retorna
e atinge o que tem na frente.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A águia e o mar



Mar,
Se eu te encontrasse de novo,
Me estenderia às suas margens
Alegre
Pelo intenso otimismo do astro rei,
O sol.

Se as tuas águas atingissem os meus pés
Eu então viajaria
Para um lugar que contivesse
O enigma do céu noturno
E a transparência do dia
Unidos em lua de mel.

Ah, se eu te encontrasse
E tudo fosse igual,
Como nos tempos de outrora!
Quando minh’alma não estava condenada
À prisão perpétua
Na cela
Do amadurecimento.

Ah, que belos eram aqueles
Claros dias!
Em que o meu raro sorriso reluzia.
Que bela essa lembrança
Contida na poesia
E que ninguém consegue apagar.

As garças e gaivotas
Pelo azul ávido
Onde essas e outras
Aves
Abrem
Suas asas.

Asas, eu lembro!
De quando por sobre uma águia
Eu criança naveguei
Pelas águas
Condensadas no céu
Em forma de nuvens.



Ah, ela me mostrou!
Grandes reinos,
Homens e palácios,
Que eu quando fosse homem
Veria
Cair.

Me mostrou os milharais
Que crescem indiferentes
A tudo o que acontece.
Eu vi pessoas que me viam,
Percepções
Insignificantes.

Eu só vi alguns grandes,
Que habitavam a terra.
Eram pequenos homens
Que se faziam grandes
Por receberem o título temporário
De crianças.

Eles foram os únicos
Que me acenaram.
Mas sei que logo se esquecerão,
Assim como eu que tenho breve lembrança
De quando eu era criança
E com essa águia viajava.

Quando meu suspiro eterno eu der
Quero pensar no pacto
Que fiz
Com a águia do mar
E a águia que eu sabia
Logo ia chegar.



 



domingo, 12 de dezembro de 2010

Mosaico
















A ordem está fora de ordem.
E eu fico tentando juntar os pedaços do mosaico.
Estou construindo um quadro novo.

Quando todos os membros estão inertes,
quando todos os sentidos estão entorpecidos,
quando toda a cidade parece estar vazia
então me encontro com o som das ondas
mesmo que bem longe da fonte.
A fonte são os olhos e a água jorra na forma de vapor
quente e atual.
Queima feito pão de padaria

sábado, 20 de novembro de 2010

A estrada


Não sei se do banco de trás sou mero espectador
ou se escrevo essas linhas agora.
Só sei que rezo pelo caminho errado.
Não sei se estou certo
quero chegar em casa e descansar meu sono.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Contos da cidade



Na vitrine vi meu desejo estampado.
A etiqueta e o cartaz diziam que o preço era in-dizível
para mim.
O preço me apressa a ganhar o valor que nunca terei
ao menos que a vidraça se despedace feito muro de Berlim
e eu não tivesse que pagar com fome
a minha sede
de posse.



quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Anti-Poema


Saudade da areia quando estava em minhas mãos.
As palavras que eu repreendia eram raras e escuto com gosto.
As coisas sem importância são raras.
Fútil é quem não diz futilidades,
a vida não se veste de terno e gravata.
A vida xinga e berra. Transborda.

Os grandes livros foram escritos com sangue,
sorvê-los não é pecado algum,
Pelo contrário
faz jus a sua razão de ser.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Na pele do tigre



Na pele do tigre sendo caçado
cercado dos predadores que não existiam,
na pele do pedreiro demolindo a construção.
Na pele da oração de pedido de misericórdia.
Na pele do saber que é certo
mesmo quando contra seus princípios.
Na pele do cego atravessando a rua sozinho
mesmo escutando ruídos em sua direção.
Na pele do poeta que perdeu a palavra
e escreve o inverso de seu verso.
Na pele da escuridão diurna,
da novidade dos dias.
Na pele do surdo que entende tudo
e dá risada das pessoas que não se entendem muito bem.
Melhor é entender-se consigo mesmo.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Céu Aberto






Sky is high above  me
And a bird I see flying high

And I know this is the path

I was before.


Por que a chuva caiu e levou
O que já estava há tempos.
Mas é o mesmo céu por outros olhos.
Do mesmo homem
Mas com cicatrizes adicionais
E que nunca olha adiante.
Que gosta do vento sobre a face,
de diferentes lugares...
Mas enfrenta a poeira do tempo.